Hoje a resenha é um pouco diferente. Recentemente li O Doador de Memórias e assisti a adaptação cinematográfica, e quero compartilhar com vocês o que achei das duas versões. Vamos lá?!
Não sabia que "O Doador de Memórias" era um filme originado de um livro, quando vi o trailer e me disseram que era baseado em um best-seller de 93, que estava sendo relançado aqui no Brasil pela editora Arqueiro, me interesse em ler, ainda mais porque trata-se também de uma distopia, gênero que eu adoro. Fiquei um pouco com o pé atrás com relação ao filme, porque li resenhas que não falaram tão bem, mas como toda boa apreciadora de filmes, tive que assistir para tirar minhas próprias conclusões. Apesar de o livro ter apenas 185 páginas (o que me deixou insegura, achava que faltaria estória e que não seria muito legal) a leitura é empolgante, trata-se de uma série, e esse primeiro volume é apensas introdutório.
O Livro
Sinopse
Em O doador de Memórias, a premiada autora Lois Lowry constrói um mundo aparentemente ideal onde não existem dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não há amor, desejo ou alegria genuína. Os habitantes de uma pequena comunidade, satisfeitos com a vida ordenada, pacata e estável que levam, conhecem apenas o presente – o passado e todas as lembranças do antigo mundo lhes foram apagados da mente. Um único indivíduo é encarregado de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz ideia de que seu mundo nunca mais será o mesmo
Jonas e todos na comunidade, vivem num mundo que não conhece o que são sentimentos, eles só conhecem algo como chamado de Mesmice.
As unidades familiares da comunidade são compostas por um pai, uma mãe e até dois filhos, um menino e uma menina para cada unidade. As crianças nascem de mães biológicas, vão para o Centro da Infância, passando por uma triagem onde determinará a sua unidade familiar. Quando os filhos crescem os pais de cada unidade passam a viver num local de Adultos sem Filhos e quando ficam velhos vão para a casa dos Idosos, como se fosse um asilo.
Muito antes de ser designado como e Recebedor, Jonas, assim como todos os outros, não sabia que existia outra forma de se viver, mas ele possuía a capacidade de “ver além”, era diferente dos outros, sobretudo dos seus amigos Asher e Fiona. E na sua cerimônia de atribuição ele recebe uma "honra" ao ser escolhido como novo Guardião de Memórias.
As profissões são dadas pelos anciões, de acordo com seu comportamento, durante a Cerimônia de atribuição.
Quando ele começa a ser treinado, coisas estranhas começam a fazer sentido, e Jonas começa a questionar porque pagar um preço tão alto para se livrar de sofrimento? Se vale a pena abrir mão das emoções. Aos pouco ele vai desvendando segredos, sentimentos, emoções, imperfeições, angústia e dor.
O livro é bem detalhado, a narrativa é em 3ª pessoa, mas os personagens são marcantes e bem construídos pela autora Lois Lowry . É um bom cenário distópico, mas diferente do habitual, em O Doador de Memórias não tem a ação que estamos acostumados em livros desse gênero, por isso acho que está mais para ficção científica.
Achei que a autora poderia ter dado um pouco mais de tempo pra estória, algumas páginas a mais seriam de grande valia, como é uma livro curto, o final ficou um pouco corrido e meio acelerado, mas não deixa de ser bom.
Gostei bastante do livro, é uma leitura simples, tranquila, com uma ótima ideia central. Como ele é fininho você consegue ler em poucas horas, ele termina com aquele gostinho de quero mais.
O Filme
Antes de começar a falar do filme, quero dizer que o elenco é incrível, Meryl Streep, Jeff Bridges são maravilhosos, e o elenco jovem também não ficou atrás, tem até a Taylor Swifit com uma participação curta, mas crucial na história. Ela é Rosemary, a filha do Doador, que também foi uma recebedora, mas que não suportou a dor e pediu despensa, o que significa a morte pra eles.
Bom, também gostei muito, porém o filme é apenas um “sussurro” do livro. A ideia central é a mesma, claro, mas ele fizeram com esse livro o mesmo que fizeram com o Lado Bom da Vida, pegaram apenas o enredo e adaptaram ao cinema.
Pude perceber pouquíssima coisas do filme que saiu tal qual o livro. A começar pelos personagens secundários, os amigos de Jonas, Asher e Fiona. Asher no livro foi designado para gerenciar as atividade de recreação com crianças, no filme ele foi designado para ser piloto. O romance no livro é bem superficial, já no filme eles deram uma ênfase a isso. Os pais de Jonas são totalmente diferentes do que é proposto no livro, a mãe dele em especial. A forma como Jonas recebe as memórias também é diferente.
Algo que se destaca positivamente no filme é o final, onde podemos ver o que acontece com Jonas, ao mesmo tempo que na comunidade, já que no livro temos apenas visão do Jonas.
Mas tanto o filme, quanto o livro, são envolventes e cheio de suspense, O Doador de Memórias suscita sentimentos de angústia, fazendo-nos pensar no que seria uma sociedade perfeita, e se vale a pena pagar um preço alto por uma falsa realidade.
É isso, espero que tenham gostado.
Bjs :* até mais!


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